Aprenda a Fazer Uma Análise de Draft!

Olá! Para quem não me conhece sou o Zero e hoje vamos de falar sobre uma das partes mais importantes do LoL, o Draft. Um momento crucial para a partida, pois é enquanto os picks e bans são feitos, por exemplo, a única fase do jogo onde está permitida a comunicação entre treinadores e jogadores!

Ultimamente tenho visto várias criticas à treinadores e comissões técnicas em geral, aos seus drafts e forma com que lidam com essa fase. No entanto, essas geralmente críticas não costumam ter muita base teórica ou aprofundamento. É comum vermos comentários como “Por que você não pickou o Lee Sin em cima da Kindred? Ele countera a ult dela! Que draft lixo!”. E, se você pensa que não, eles são muito frequentes em grupos de times e até nos perfis pessoais dos treinadores.

Então, gostaria de começar esclarecendo melhor como é feito o Draft de uma equipe e como ele é pré feito baseado em inúmeros fatores. Além de que, sua importância para um resultado de uma partida, em minha modesta opinião, não passa de, no máximo, 20%.

Preparando o Draft

Nos times profissionais, os campeões pickados são baseados em composições/planos de jogo que os jogadores e a comissão técnica discutem entre si. Ou seja, há um dialogo entre player e staff sobre os melhores “métodos” de jogo atuais e também como adaptar essas estratégias variadas ao estilo de jogo do time.

>>> Veja: Como Aumentar a Sua Champion Pool

Assim, a partir daí são escolhidos os melhores campeões para tais estratégias e eles são usados durantes os treinos. Então, se as coisas estão dando certo e a estratégia é bem executada pela equipe, ela é utilizada nos jogos oficiais. Por exemplo: mesmo com o funneling sendo extremamente forte no começo do patch 8.12, a INTZ preferiu não usá-lo e pickar campeões “padrões” para a sua partida naquele final de semana, pois os jogadores juntos à comissão entenderam que teriam mais chances de ganhar a série era com uma composição que já era familiar àquele grupo de jogadores e já havia sido bem sucedida.

Então, como vocês podem perceber, o draft já chega “pronto” para o final de semana. Os treinadores já sabem exatamente os campeões que vão escolher e suas alternativas. Obviamente há improvisos, mas no geral os campeões seguem sempre o plano de jogo feito durante a semana. Então, não é benéfico você jogar “em cima do draft adversário”, como muitos gostam de falar, pickando counters e campeões que cancelam ultimates inimigas. No entanto, é claro que counterar tem seu valor estratégico, mas não vale a pena você trocar o Skarner que seu caçador treinou a semana inteira por um Lee Sin que ele não pratica há meses, pois não é uma escolha do meta no momento e não encaixa no seu plano de jogo!

Enfim, com esse artigo espero ajudar você a analisar melhor um draft profissional e entender as escolhas de campeões dos seu time preferido!

Picks

Como todos sabem, o lado azul é o primeiro lado a selecionar um campeão e pode selecionar apenas um. Então, essa é uma boa vantagem estratégica, pois você pode escolher o “priority pick” mais forte que restou facilmente. Além de que, por muitas vezes ele não demonstra muito da composição, pois é utilizado em várias diferentes. Sendo assim, temos como exemplo o Rakan, que é praticamente um ban instantâneo do lado vermelho, pois ele é uma prioridade entre os suportes e pode ser encaixado em praticamente todas as composições!

Assim, para o lado vermelho sobram duas escolhas. Então, geralmente se escolhe campeões fortes e que não entregam muito a composição do time. Além de que, é normal vermos campeões flexíveis nos primeiros picks, como Irelia, ou campeões que são usados em composições diversas. Esses que, geralmente, são suportes e caçadores, como o próprio Rakan, ou versáteis tanto no engage como no desengage, como Braum, ou caçadores com bom começo de jogo, que escalam razoavelmente bem, como o Trundle.

Como ponto de destaque para o lado vermelho temos o famoso “last pick”, que é, literalmente, o último pick da seleção de campeões. Neste momento do draft você já viu todo os campeões do lado azul e seu time já possui 4 campeões, então é uma posição argumentativamente melhor que a de first pick, pois você já sabe exatamente o plano de jogo do seu adversário e tem a opção de escolher um campeão que dificulte para o inimigo ou algo que melhore extremamente a sua composição!

Pode-se destacar os famosos “Cheeses” que geralmente são escolhidos como last pick, pois você consegue enxergar que o ponto fraco do seu campeão cheese não será punido.

De resto são escolhidos campeões que se adequem ao que foi treinado na semana e sigam a linha de pensamento do plano de jogo proposto e treinado por todos do time. Então, o time como conjunto já sabe exatamente quais são esses campeões e os mesmos já analisaram seus pontos fracos e fortes!

Analisando os picks!

Após todos as escolhas, é possível você analisar e entender o plano de jogo do seu time preferido. Por exemplo, se seu time tem uma Kaisa com Smite e um Braum no mid, eles vão querer fazer funneling e tentar dar o máximo de recursos para a Kaisa. Ou, em um exemplo menos óbvio, se a sua equipe picka uma Zoe e uma Morgana, você pode perceber que eles tem um cerco a torre muito forte e talvez seja isso que eles pretendem executar no jogo.

>>> Veja: Aprenda a Fazer O Siege/Cerco a Torres!

É importante perceber que o que mais vai importar na partida é a preparação e a adaptabilidade de cada time dentro de jogo. Ou seja, o time que executar melhor a sua composição e dificultar o máximo possível a execução adversária, ganha! Não é mágica, nem acerto ou erro de draft, é execução!

E não estou dizendo que não existem erros de draft, existem, mas sua relevância para um resultado final da partida é pequeno comparado ao resto. Um time como a RNG ganharia dos melhores times do Brasil com qualquer tipo de composição. E sim, mesmo levando desvantagem em todas as rotas, pois o League é um game de execução. O objetivo é sempre levar o Nexus inimigo, e quem consegue executar isso mais rápido, vence.

Podemos perceber facilmente quando uma equipe quer “enrolar” o jogo e escolhe uma composição com campeões de meio/fim de jogo (o que não é muito viável no meta atual). Eles selecionam campeões como GP, Fiora, Cassiopeia, Kog’Maw, e a sua execução é, basicamente, evitar o máximo de conflitos early e acumular o máximo de recurso no mínimo de tempo possível sem se arriscar. Se o time conseguir executar seu plano de forma adequada, ele provavelmente ganhará. Mas, se esse mesmo time compra lutas no começo do jogo ou é divado várias vezes sem resposta, ele provavelmente perderá em menos de 25 minutos.

E, é ai que muitas pessoas culpam o draft ou os campeões. Mas, esquecem que na verdade isso tudo foi treinado dezenas de vezes e provavelmente é onde o time encontrou mais sucesso, mas naquele momento, naquela partida, o adversário foi superior e executou melhor o seu próprio plano de jogo.

Conclusão

Bem, a ideia desse artigo é ajudar os espectadores a entender melhor as escolhas das suas equipes no CBLOL ou em qualquer liga. E, melhorar seu nível de análise no geral para que consigam compreender e aceitar melhor as escolhas de campeões e entender o plano de jogo do seu time.

O League é um jogo extremamente complexo e difícil, que se modifica a todo momento. Entretanto, algumas bases são imutáveis e o Draft é uma delas, pois, quando bem feito, com certeza facilita a vitória de um time, mas nunca ganha ou perde por ele!

E você, o que acha dos Drafts da sua equipe preferida do CBLOL?

 

Vinicius “Zero” Pereira acompanha o cenário nacional e internacional competitivo de LOL há mais de 5 anos e atualmente trabalha como analista na LDL E-Sports.

Além disso, atua no Escola de Invocadores criando conteúdos relacionados ao CBLOL e análises em geral.