Os Mono Champions Destroem a SoloQ BR?

Olá, Invocador, eu sou o Heye e hoje vamos falar um pouco sobre uma recente polêmica a respeito das SoloQ brasileiras. Ser Mono Champion é realmente um problema?

Essa é uma pergunta feita por bastante gente e eu já falei um pouco a respeito disso aqui em um texto chamado “Vale a Pena ser Mono Champion?”. Mas, hoje eu quero tratar esse tema de uma forma diferente. Eu quero responder a pergunta do título para realmente entendermos se ser mono champion é algo ruim ou nocivo para a SoloQ brasileira.

Vamos?

Os Mono Champions

Uma coisa que realmente não podemos negar é que a quantidade de mono champions na SoloQ brasileira é surreal. Porém, fica a pergunta, eles são realmente nocivos? Não e sim seria a melhor resposta, mas vamos entender porque.

Os Mono Champions nada mais são do que um jogador que trouxe até o limite o nível de jogo de um campeão. Ele não é necessariamente muito bom em tudo, mas ele sabe exatamente o que precisa com um herói. E, por incrível que pareça, isso é bom para a SoloQ, em alguns aspectos. Normalmente são esses jogadores que criam novos modos de jogo com um herói que já parecia esgotado, por exemplo. Mas, não para por aí.

Principalmente na SoloQ brasileira, onde o nível de jogo não é tão alto, esses jogadores se destacam muito. Não é difícil encontrar um Mono Trynda, Mono Quinn, Mono Evelynn, entre outros em elos como Mestre ou Challenger. E é aqui que começamos a chegar aonde precisamos.

Ser mono não é problema, a questão é o impacto disso nas partidas. Jogadores profissionais, normalmente, querem ter jogos mais “comuns”, onde exista um meta mais padrão, porque eles precisam treinar isso. E o que acontece? Eles entram em uma partida e tem um Mono Trynda do outro lado que não sabe fazer nada além de farmar e avançar o top como louco o tempo todo, o que quebra completamente o ritmo de jogo.

Não é como se ele estivesse jogando o mesmo League of Legends de sempre, é algo diferente e que ele não está acostumado. E, não só isso, é algo que parece ser completamente inútil para um treino, por exemplo. Parar um Trynda que está splitando desde os 10 minutos de jogo não parece ser produtivo. Porém, isso faz surgir um questionamento.

De que adianta falar mal desses jogadores e estilos, se ainda perdemos para eles?

O cenário profissional

Uma coisa que é clara é o fato de aprendermos através do contraste. Por exemplo, eu e você vamos fazer uma comida. É exatamente a mesma comida, a única diferença é que eu faço com sal e você faz sem. No fim a minha comida ficou mais saborosa. Você, como qualquer outra pessoa, vai entender que o sal fez essa diferença. Ou seja, você foi exposto ao contraste. Eu te mostrei onde você errou e agora você vai passar a colocar sal. Talvez não acerte a quantidade de primeira, mas você vai aprimorando.

Quando o cenário profissional é tão superior à SoloQ quanto dizem, os jogadores não jogarem soloQ porque a fila é fraca é dar um tiro no pé, já que é através dos jogadores profissionais que os outros aprendem. É uma mudança de cima para baixo.

Isso sem contar que, se pararmos para pensar, são 8 times no CBLoL, mais reservas, mais os tops do desafiante. Isso tudo junto equivale a mais de 60 jogadores com facilidade, que, se jogassem de verdade, seriam suficientes para subir o nível das filas no alto do Challenger.

Mas, vamos voltar aos mono champions, por que eles são relevantes?

Quando os nossos profissionais não conseguem ter 100% de resultado contra algo que dizem ser fraco, temos um problema. Nossos jogadores não dominam de fato o sistema que jogam ou não jogam com seriedade.

Pense comigo, se o meta é o modo de jogo mais forte que tem e algo que você e o mundo consideram “fraco” te vence, onde está o problema?

Nós precisamos entender que, se um jogador é, em teoria, muito melhor que o outro, derrotas só são aceitáveis esporadicamente. E isso nos leva a outro tema.

Domínio total do jogo

Quando um jogador com o estilo completamente diferente (e funcional) entra na partida, se torna extremamente chato acompanhar. Não é uma questão de simplesmente jogar, mas de pensar e entender o que precisa ser feito. E, para isso, é necessário seriedade e domínio do jogo por completo.

Se um jogador está acostumado a jogar contra uma coisa A em todos os jogos e chega alguém fazer Y, ele precisa se adaptar. E é aqui que vem o problema. Os mono Champions forçam os jogadores a sair da zona de conforto e fazer um jogo muito menos confortável ou do jeito que eles querem.

A SoloQ nunca vai ser igual ao competitivo, mas, em tese, se você é muito bom no competitivo, que deveria ser um dos níveis mais altos de jogo possível, a SoloQ deveria ser fichinha, então por que nem sempre isso acontece?

Vamos abordar uma questão aqui, a diferença entre ser um cozinheiro e saber fazer comida. O cozinheiro é o cara que tem o domínio de todos os processos, ele sabe exatamente o que cada coisa faz e como ela funciona, enquanto o cara que sabe fazer comida sabe só que superficialmente o resultado que as coisas causam. O diferencial é que, seguindo a mesma receita, talvez os dois façam algo muito bom e muito parecido, mas se você pedir algo completamente diferente do que eles estão acostumados, o cozinheiro consegue te dar algo bom e o cara que sabe fazer comida não.

Isso tem reflexo na soloQ, porque é o caso do jogador que domina o jogo e o jogador que não domina. Então, aquele que não domina não vai saber reagir a um estilo muito diferente, como é o caso dos Mono Champions, por exemplo. Mas, os profissionais tem obrigação de saber fazer isso, o que nos leva para o nosso último tópico.

A SoloQ não é Perfeita

Os profissionais provavelmente sabem lidar com essas situações, mas além de faltar seriedade, falta interesse. A soloQ, de certa forma, é desprezada, porque não dá ao jogador o que ele quer: um treino de alto nível.

A SoloQ jamais vai se igualar a uma scrim¹, mas ela tem seu papel. A ideia é aprimorar determinados pontos individuais e, para isso, os mono champions nem sempre são tão ruins. Claro, se o seu objetivo é treinar algo muito específico, como um Lulu mid, me desculpe, mas não vai dar certo. Agora, se for aprimorar sua capacidade de foco, concentração, reação, mecânica, etc, talvez seja até melhor do que em uma scrim.

E eu acredito que seja isso que nos falta. Perceber esse valor da SoloQ. Hoje no Brasil não é difícil ver jogadores profissionais cometendo erros feios. Erros de mecânica, que chegam a comprometer o jogo algumas vezes, coisas gritantes. Muitas ults erradas, poucas jogadas individuais, miss clicks, entre muitas outras coisas. E é para aprimorar isso que a SoloQ serve.

Quanto menos nossos profissionais jogam, menos eles evoluem individualmente. É claro que dentro das scrims a evolução é constante e temos muitos casos de jogadores de altíssimo nível que nem jogam soloQ. Porém, se há tanta reclamação de que o nível dela é baixo e não dá para treinar, eu discordo. Os mono champions não são os culpados, pelo contrário, eles até ajudam em alguns pontos. Não em todos, mas em alguns.

Afinal, se um mono champion é tão ruim e previsível, por que não vencer dele sempre e pegar top 1? Acredito que se todos os nossos proplayers estivessem brigando pelo top 1, teríamos uma soloQ mais disputada.

¹Scrim: Treino fechado entre 2 equipes de LoL.

Conclusão

Ser Mono Champion não é um problema para a comunidade. Pode ser chato jogar contra, mas essas alterações fazem bem. Um jogador profissional precisa ser capaz de se adaptar.

Além disso, alguém que consegue elevar tanto o nível de jogo de um campeão pode ser parabenizado. Criar coisas novas táticas e formas de jogo diferentes é algo bem complicado. Sendo assim, não vamos dar tanto rage, ainda que seja chato jogar contra. É chato porque funciona, ainda que seja diferente de tudo que estamos acostumados.

Enfim, espero que este texto tenha esclarecido um pouco a questão dos Mono Champions dentro da SoloQ brasileira.

E, para finalizar, gostaria de pedir a sua opinião sobre o texto, então, se puder, deixe um comentário aí embaixo dizendo o que achou. É muito importante para nós!

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Guilheme “Heye” Thompson é coach há mais de 2 anos e já trabalhou em equipes de todos os níveis. Depois de dar uma pausa na carreira, criou o Escola de Invocadores, onde administra e cria conteúdo para jogadores que queiram melhorar no Summuner’s Rift.